Tuesday, February 12, 2008

Travessia

Hoje aconteceu o tão esperado trote lá na Letras. Houve a recepção dos bixos, com muita tinta, pedágio na Vital Brasil, e bar em seguida.

E foi bem como eu esperava. Todos disputando pra ver quem bebia mais cerveja e beijava mais bixos. Eu, pra variar, bebi pouco e não beijei ninguém. Amigos meus passaram mal (por motivos alcóolicos e sentimentais) e todo aquele momento me pareceu nojento.

Não sei se é porque eu realmente acho esse tipo de atitude uma falta imensa de amor próprio, ou se no fundo eu me sinto um fracasso por não conseguir ter esse tipo de atitude, não conseguir simplesmente chegar em alguém e roubar um beijo porque no fundo eu sei que dentro de mim vai ficar aquela esperança babaca de uma coisa mais séria, essa esperança que é ridícula porque não é compartilhada com ninguém. No fundo eu acabo tendo medo de gostar de quem eu não devo por causa dos meus traumas e talvez isso tenha me criado um bloqueio.

Às vezes é tão difícil ser gay. As coisas devem ser tão mais fáceis com as outras pessoas. Porque todo o mundo permite isso, leva você direto ao caminho que você quer tomar. Os gays sempre precisam atravessar uma selva de sentimentos, de mágoas, de dúvidas.

E essa travessia está me cansando. Tem momentos em que tudo o que eu quero é abdicar de qualquer vida amorosa e social porque não consigo levá-las adiante sem me frustrar imensamente. Sem perceber que no mundo há cada vez menos amor e mais momento, que ficar fantasiando uma pessoa perfeita que vai surgir e virar meu jogo é pura tolice, pura ilusão.

E hoje, no aftermath do trote, eu olhei ao redor daquele começo de noite e vi amigos meus sentados na calçada, chorando aquilo que não conseguiam ou não podiam ter. No bar, a cantoria não parava, os olhares não paravam, o jogo não parava.

Até que eu olhei pra cima e vi um último raio de sol caindo sobre os prédios ao redor do bar, tingindo aquela coisa cinza e morta de amarelo. Me trouxe algum conforto, que vinha não sei de onde.

Me virei, me despedi, e fui embora.

“Existe é homem humano. Travessia.”

Posted by Eddino at 05:21:14
Comments

12 Responses to “Travessia”

  1. Raquel Zichelle says:

    Gui,eu acredito que realmente seja difícil ser gay.Mas ser hetero tb é.Talvez não pelos mesmos motivos,mas é.
    Eu não sei dizer se as pessoas tomaram aquelas atitudes por falta de amor próprio e tb não sei dizer se é fracasso seu.Acho que é até melhor vc ficar na sua mesmo.Acho que só vale a pena vc entrar nos jogos,entrar na “putaria” se vc realmente quiser isso,se não quiser algo sério,do contrário,não vale a pena mesmo.Se aquela pessoa especial e idealizada vai aparecer pra vc eu tb não sei,aliás tb nem sei se vai aparecer pra mim,eu tb já cansei de fantasiar as coisas,hj vou levando,tentando deixar pra trás certas coisas e seguindo em frente!
    Hj eu tb senti um certo conforto,não foi bem com o raio de sol,foi mais com o vento balançando as folhas.Às vezes a gente se sente tão mal,por fora das coisas,um mal-estar do mundo,não sei explicar essa sensação.Me sinto desconfortável,mas o vento me trouxe um pouco de conforto,meio confuso isso né,hahahaha
    Enfim,Gui,continue sua travessia!”Walk on”.
    Bjokaaas!
    Te adoroooo!!!

  2. Anonymous says:

    sigamos, meu caro, sigamos

  3. Leila says:

    Como diria Dresden Dolls: “Who says we can’t touch
    Ourselves to keep from getting bored?”

    Ficádica.

  4. Anonymous says:

    possannnnn, não escreve mais?
    fikdik

    rod

  5. Ivan says:

    Não sei, Gui, mas me parece que talvez uma mudança de perspectiva pudesse te ajudar. Não acredito nem por um momento que todas (ou a maior parte (ou mesmo a menor parte)) das pessoas presentes nesse tão famoso trote pensassem assim, mas pelas descrições que ouvi, poderia ser encarado como uma dionisíaca. O sagrado no excesso, a libertação momentânea e carnavalesca dos sentidos, o contato animalesco com o outro. Muita futilidade existe, mas às vezes ela só encobre o essencial, que nos puxa irresistivelmente para o ritual pagão… E talvez, quem sabe, se jogar de cabeça nesse delírio um dia desses não seja o caminho que está te esperando, até para alcançar essa improvável relação duradoura a partir de um instante de loucura. Os deuses nos surpreendem com freqüência: talvez Afrodite e Dioniso tenham um plano para você…

  6. Anonymous says:

    É e não é a mesma coisa (ser gay e hetero). Sim, temos (gays) o “preconceito” como agravante. Mas, de que adianta sair roubando beijos se nem sempre é isso que queremos? Se no fundo no fundo, o beijo é apenas uma porta para realizar um sonho maior?

    Não se engane. Nunca!

    As travessias podem ser tortuosas e complicadas, mas se você tiver fé (e não estou falando de religião precisamente) e seguir sua verdade, você vai chegar lá, íntegro e você mesmo!

    Abraços e parabéns pelo blogue!

    Davi
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  7. Anonymous says:

    <strong>Auto</strong>

  8. Anonymous says:

    Molto bonito
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  9. Anonymous says:

    In my defense, two of my three children are twin boys and they gang up on me. Plus I’m blonde. So it’s not really my fault.
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