DESABAFO
sob a sombra, vem a lua espiar a gente
embora a gente tente se espalhar na rua
cada um na sua terra, no seu mundo
sua guerra, sua sina dura, grossa
corre a água espia o pobre sob a ponte
à própria sorte triste e seca
quis a vida que essa torre cinza
projetasse o ódio sobre a grama
que um dia lhe serviu de berço
ódio contra o qual não se luta
só se escuta a razão engole o choro
e eu corro corro sem destino
sem origem nem caminho
sem futuro nem saída
sem certeza
sem amor