Saturday, June 10, 2006

POEMA DE TODO DIA

Pedro viu os olhos de Felipe
E se perguntou o que era o amor

Ponderou sobre a namorada
Sobre o que diriam os pais
E o que o mundo pensaria

Mas abaixou os olhos
Virou-se e esqueceu de tudo

Mais uma alma perdida
Privada de emoções sinceras
Inerte numa vida torta
Sofrendo em silêncio
Pra sempre

 

Posted by Eddino at 06:36:29 | Permalink | Comments (5)

Monday, June 5, 2006

POÉTICA

escrever um verso simples
como a noite sem estrelas
é evocar desejos e lembranças
cravar ao som a imagem mínima
sentir que se toca a terra
e se vê o fogo arder
nas pequenas brasas do dia
em cada grão de coisa
de cada semente
floresce o poder
de fazer do pó, palavra
do nada, idéia
de tudo, a metáfora
do ser e do seria
e o escape do que
vem a ser real

 

MONET

noutro horizonte
tão laranja quanto vidro
o banho de sol

e o que alcançar
no calor da brisa branca
o que é o bastante

quanto bastará
para sorrindo partir
sem olhar pra trás

 

QUEM ME DERA

Ah, quem me dera
Ser sempre verão
Sempre primavera
Sentir a paixão
Planar de avião
Na azul litosfera
Num tom de canção
Disfarce de fera
De pluma, pavão
Desejos, leão
De sonhos, quimera
Burlar a ilusão
Do sonho que espera
Num destino cão
Num futuro vão
Ah, quem me dera!

 

FERIDA

assim é ver a ferida se abrir
e então chorar

(tudo é rude
cinza
falso
biônico)

e então chorar
nada a fazer
nem dizer

lembrar o já esquecido
sentir o insensível
mas ainda assim
dizer muito mais
do que o possivelmente dizível

 

Posted by Eddino at 00:29:50 | Permalink | Comments (6)