Alguns certamente vão estranhar esses poemas… digamos que trata-se de outro heterônimo. :)
CRASH
mão cerrada
porrete em fúria
o painel de vidro
estilhaça
poeira de sombra ao chão
ao redor
o silêncio
o vidro não se repara
nem se remenda
ninguém cura
nada cicatriza
o porrete violento
sujo de vingança
viscosa
o porrete
o vidro
o punho
a vida
P&B
o melhor amigo do homem
tem olhos de homem
tem fome de homem
o homem instinto
vazio, relento
cão roído
roto
o homem osso
o homem fome
o homem
cão
METRÔ
ficou pra trás
a estação
o compartimento se arrasta
pelas tripas urbanas
dispara, fura a barreira dos olhos
carrega micróbios
seres inócuos desconfiados
mentes obtusas
recostam-se nas portas
olhos perdidos, sem foco
fitam o chão trêmulo
profusão de membros se cruzam
(perna braço pé mão tronco
cabeça)
o silêncio de todo dia
apenas o garoto das balas
o ronco maquinal assombrado
o suspiro de sono e fuga
a estação
que chegou
EPITÁFIO
E eu caí
de uma estrela torta
num mundo de guerra
Cidade abandonada
de corações de pedra
Mas agora, partir
ainda é uma pena
Fazer o quê?