Sunday, May 28, 2006

FILOSOFIA

como derramar verdades
em cima de massas amorfas
sobrecarregar correntes
de pensar
enxergar além
de carrosséis de bombas
cordões de flores
sufocar na sina
na calçada vazia
desdobrar
a vida
se o que eu quero
é comê-la
vestí-la
tragá-la
possuí-la
sem dó

 

Posted by Eddino at 04:40:53 | Permalink | Comments (2)

Wednesday, May 24, 2006

SONETO DE AMOR

olhar
dizer
romper
calar

curar
sofrer
poder
chorar

tocar
fugir
piscar

sorrir
provar
trair

 

Posted by Eddino at 01:30:15 | Permalink | Comments (1) »

Dois noturnos e uma paixão

JAZ

toda a quietude do mundo
aqui jaz
todo ímpeto, todo
sonho partido
toda a carne, toda
todo o mal, sabor
tão voraz

todo temor, todo
suspiro se faz
e se corta
tanta sorte, mata
todo caminho
toda luta
jaz

toda a morte que
o silêncio
traz

 

INSCAPE

Eu vi os teus olhos tão
certeiros, precisos
como um rojão

Espasmo, surpresa
o tempo simplesmente
pára

O tudo de
você em meio ao
nada de mim

 

EPITÁFIO Nº 2
A Manuel Bandeira

se por acaso
eu morrer de repente
e acharem meu corpo numa
calçada qualquer
peço apenas que avisem
todos que amo
todos que me amam
e que não chorem

pois a vida é sempre
traição, e a morte,
alumbramento

 

Posted by Eddino at 01:13:38 | Permalink | Comments (1) »

Friday, May 5, 2006

Alguns certamente vão estranhar esses poemas… digamos que trata-se de outro heterônimo. :) 

 

CRASH

mão cerrada
porrete em fúria
o painel de vidro
estilhaça

poeira de sombra ao chão
ao redor
o silêncio

o vidro não se repara
nem se remenda
ninguém cura
nada cicatriza

o porrete violento
sujo de vingança
viscosa

o porrete
o vidro
o punho
a vida

 

P&B

o melhor amigo do homem
tem olhos de homem
tem fome de homem

o homem instinto
vazio, relento
cão roído
roto

o homem osso
o homem fome
o homem
cão

 

METRÔ

ficou pra trás
a estação
o compartimento se arrasta
pelas tripas urbanas
dispara, fura a barreira dos olhos
carrega  micróbios
seres inócuos desconfiados
mentes obtusas
recostam-se nas portas
olhos perdidos, sem foco
fitam o chão trêmulo
profusão de membros se cruzam
(perna braço pé mão tronco
cabeça)
o silêncio de todo dia
apenas o garoto das balas
o ronco maquinal assombrado
o suspiro de sono e fuga
a estação
que chegou

 

EPITÁFIO

E eu caí
de uma estrela torta
num mundo de guerra
Cidade abandonada
de corações de pedra
Mas agora, partir
ainda é uma pena
Fazer o quê?

Posted by Eddino at 07:34:08 | Permalink | Comments (3)