Uns poemas
NUVENS PESADAS
E quando as nuvens pesadas chegam
Eu penso que o azul por trás delas se foi
Pra sempre se foi
Eu sento e vejo
Que nem mesmo há azul, que droga!
ALMAS
Passei pela porta
E me perguntei
A noite está fria
Ninguém chora
Ninguém ri
E se a chuva não pára
E se o mar tão revolto secasse
Onde estaria o seu ombro
Onde mais poderia chorar
Por um dia eu andei
Por uma noite eu sonhei
Numa vida encontrei
Nem na morte
Eu hei de esquecer
HAIKAI À ESPREITA
Folha em queda livre:
A pupila tão curiosa
Me observa andar!
POEMA CONTEMPLATIVAMENTE PERDIDO
E aqui estamos nós
Andando pra frente
Com medo de ser o que é
E assim se vai
Pessoas vem e vão
E nunca se sabe
E a gente esquece
Sem mais nem menos
Tudo o que foi
E pra as estradas nos levam
Pra onde a gente caminha
Sem saber onde vai dar
Feliz por achar
Que há alguém lá no fim
A nos esperar
E a gente se lembra
Sem mais nem menos
Tudo o que será
E o que ainda há de ser
Não há como saber
Só esperar
Pelo que virá
E assim pode ser
Um bom-dia