Wednesday, April 19, 2006

Mais poesia…

TEMPESTADE

Cá eu guardo os dias tais
Que foram, não voltam mais
Nos olhos das ventanias
Margens de lagoas frias
Caem sonhos, temporais

Das lembranças penso quais
das sombras persistem mais
Enquanto chegam novos dias
Cá eu guardo…

Chegam outros carnavais
Com eles outros finais
O mundo tem suas crias
Sílabas, palavras frias
Logo não existem mais
Cá eu guardo…

 

SHADE OF LOVE

Who knows where is all the love we lost
Every single drop hides in the sand
Of the shoreline concealed under the frost
Before the oceans that we don’t understand

Who knows where is all the love we leave
Burning on the brink of passing life
Built upon the feelings one can give
Finished on the bruises of a strife

Who knows where is all the love we keep
Glowing in all colours of the light
Less it burns in death but in our sleep
Returns on dreamy beams of mystic brightness

A single shade of love can seem so stray
Though seals the reason in the gloom of day

Posted by Eddino at 04:37:19 | Permalink | Comments (4)

Monday, April 10, 2006

L’Amitié

Um programa incomum hoje. Um recital de violões, sendo um dos integrantes do duo um amigo dos tempos de colégio. Em casa, já noite, consultei minha vontade de ir. Depois de alguma hesitação achei que iria ser legal rever os antigos amigos, que não via há alguns anos. Meu pai gosta de violões e toca uma única peça, que usa pra poder dizer que toca. Fomos os dois.

O Espaço Cultural. Minúsculo, até que aconchegante. Bastante simples. Caras conhecidas de imediato. Heloísa e sua irmã, Eliza, Renan, Heitor. Nostalgia.

O concerto é sonoro, bonito. Dois violões em unissono, tão belos.

A noite de domingo beira a madrugada e o grupo está numa lanchonete lotada. O que a gente pensa que vai fazer em casa? Seriam mais algumas horas jogadas ao vento, inúteis. E eu ali, em meio aos colegas de longa data. Cada um com sua vida, seus sonhos, suas histórias. Nada melhor. Algo que quebra aquela monotonia. Aquela solidão.

 

Alors, peut-être je viendrai chez toi
Chauffer mon cœur à ton bois

- Françoise Hardy, “L’Amitié”

Posted by Eddino at 08:11:39 | Permalink | Comments (3)

Friday, April 7, 2006

Uns poemas

NUVENS PESADAS

E quando as nuvens pesadas chegam
Eu penso que o azul por trás delas se foi
Pra sempre se foi

Eu sento e vejo
Que nem mesmo há azul, que droga!

 

ALMAS

Passei pela porta
E me perguntei
A noite está fria
Ninguém chora
Ninguém ri

E se a chuva não pára
E se o mar tão revolto secasse
Onde estaria o seu ombro
Onde mais poderia chorar

Por um dia eu andei
Por uma noite eu sonhei
Numa vida encontrei
Nem na morte
Eu hei de esquecer

 

HAIKAI À ESPREITA

Folha em queda livre:
A pupila tão curiosa
Me observa andar!

 

POEMA CONTEMPLATIVAMENTE PERDIDO

E aqui estamos nós
Andando pra frente
Com medo de ser o que é
E assim se vai
Pessoas vem e vão
E nunca se sabe
E a gente esquece
Sem mais nem menos
Tudo o que foi

E pra as estradas nos levam
Pra onde a gente caminha
Sem saber onde vai dar
Feliz por achar
Que há alguém lá no fim
A nos esperar
E a gente se lembra
Sem mais nem menos
Tudo o que será

E o que ainda há de ser
Não há como saber
Só esperar
Pelo que virá
E assim pode ser
Um bom-dia

Posted by Eddino at 04:42:11 | Permalink | Comments (4)